Fraudes digitais bancárias e o fortalecimento dos mecanismos de proteção adotados pelas instituições financeiras
A transformação digital do sistema financeiro brasileiro trouxe avanços significativos para clientes e instituições bancárias. A ampliação do internet banking, a consolidação do Pix, os aplicativos financeiros e os meios eletrônicos de autenticação proporcionaram maior eficiência operacional. Contudo, o avanço tecnológico também impulsionou o crescimento das fraudes digitais praticadas por organizações criminosas altamente especializadas.
Fraudes digitais bancárias e o fortalecimento dos mecanismos de proteção adotados pelas instituições financeiras
A transformação digital do sistema financeiro brasileiro trouxe avanços significativos para clientes e instituições bancárias. A ampliação do internet banking, a consolidação do Pix, os aplicativos financeiros e os meios eletrônicos de autenticação proporcionaram maior eficiência operacional. Contudo, o avanço tecnológico também impulsionou o crescimento das fraudes digitais praticadas por organizações criminosas altamente especializadas.
Segundo o Indicador de Tentativas de Fraude da Serasa Experian 1 , no primeiro semestre de 2025 foi realizada uma tentativa de fraude a cada 4,2 segundos contra bancos e emissoras de cartões.
Atualmente, grande parte dos golpes financeiros não decorre de falhas sistêmicas ou invasões aos sistemas internos das instituições financeiras, mas sim da manipulação psicológica dos próprios clientes. Criminosos tentam convencer vítimas a fornecer dados sigilosos, instalar aplicativos maliciosos ou realizar transferências voluntárias sob falsos pretextos.
Juridicamente, tais episódios caracterizam-se como fortuito externo, uma vez que a fraude ocorre fora da esfera de controle ou do risco da atividade bancária.
Não obstante, as instituições financeiras passaram a investir massivamente em tecnologias antifraude, inteligência artificial, autenticação em múltiplos fatores e campanhas permanentes de conscientização. Ainda assim, a sofisticação crescente dos golpes exige atuação conjunta entre bancos, clientes e autoridades para mitigação de riscos e fortalecimento da segurança digital.
Fraudes digitais por indução ao erro
Entre as modalidades mais recorrentes de fraudes bancárias estão aquelas praticadas por meio de ambientes digitais clonados. Nessas práticas, os criminosos criam páginas falsas extremamente semelhantes aos canais oficiais das instituições financeiras, reproduzindo identidade visual, logotipos, interfaces de aplicativos e sistemas de autenticação. O objetivo é induzir o cliente a acreditar que está acessando um ambiente legítimo do banco. Para tanto, os criminosos frequentemente patrocinam anúncios em motores de busca para posicionar páginas falsas entre os primeiros resultados de pesquisa, tornando a fraude ainda mais convincente.
Ao acessar links fraudulentos ou atender a comandos de falsos funcionários, a vítima fornece senhas, códigos de autenticação, dados pessoais e contratuais ou dados bancários. Com essas informações capturadas, os criminosos conseguem realizar emissão de boletos fraudulentos, transferências e/ou Pix, contratar operações financeiras, efetuar pagamentos e acessar contas bancárias.
Essa entrega voluntária de informações e credenciais sigilosas configura a quebra do nexo causal por fato exclusivo do consumidor ou de terceiros, eximindo a instituição financeira de responsabilidade civil.
1 Disponível em: https://www.serasaexperian.com.br/sala-de-imprensa/indicadores/recorde-quase-7-milhoes-de-tentativas-de-fraude-foram-registradas-no-1-semestre-de-2025-setor-bancario-e-principal-alvo/
Na realidade prática do contencioso judicial bancário, as táticas de engenharia social e manipulação psicológica também se manifestam com frequência em outros tipos de fraude, como o golpe do falso advogado, em que os criminosos monitoram processos judiciais públicos, como ações de busca e apreensão, e entram em contato direto com o réu, utilizando as informações dos autos para oferecer falsas propostas de quitação. A vítima, induzida ao erro e sem checar os canais oficiais, realiza transferências Pix ou paga boletos fraudulentos.
Há, ainda, fraudes de financiamento por falsidade ideológica, em que terceiros utilizam dados e documentos pessoais obtidos ilicitamente fora do ambiente bancário para simular e celebrar contratos em nome de vítimas de forma fraudulenta.
Para combater esses cenários, as instituições financeiras mantêm canais oficiais de denúncia e equipes especializadas em segurança cibernética para identificação de tentativas de clonagem digital, intensificando investimentos em autenticação reforçada de acessos, autenticação multifator e biometria facial, detecção de dispositivos suspeitos, bloqueios automáticos de operações atípicas e inteligência antifraude.
Sinais de alerta e protocolos de ação
Embora as fraudes digitais estejam cada vez mais sofisticadas, existem sinais recorrentes que indicam tentativas de golpe. Os principais alertas incluem: mensagens com tom de urgência excessiva, ameaças de bloqueio imediato da conta ou de busca e apreensão de veículos financiados. solicitação de senhas ou tokens, pedidos de transferência, links encurtados ou suspeitos, erros gramaticais em mensagens, ligações solicitando procedimentos incomuns, pedidos de instalação de aplicativos, orientação para manter sigilo da operação, pressão psicológica para agir rapidamente e oferta de pagamento de débito com descontos expressivos.
As instituições financeiras reforçam continuamente que seus funcionários não solicitam senhas, tokens, transferências, instalação de aplicativos, compartilhamento de tela ou validação de segurança por telefone, SMS ou links enviados por mensagens. Em situações de dúvida, a orientação mais segura é interromper imediatamente o contato e procurar os canais oficiais da instituição financeira utilizando os números disponíveis no contrato celebrado, no verso do cartão ou no site oficial do banco.
Ao identificar uma possível tentativa de fraude, o cliente deve interromper imediatamente o contato (encerrar chamadas telefônicas e não clicar em links suspeitos), não fornecer senhas ou códigos e acessar apenas canais oficiais das instituições bancárias, além de alterar senhas imediatamente, comunicar o banco, registrar boletim de ocorrência e monitorar movimentações financeiras.
Em casos envolvendo acesso indevido à conta, é fundamental que o cliente comunique rapidamente a instituição financeira para tentativa de bloqueio de operações e adoção de medidas emergenciais de segurança.
O escopo tecnológico da malha antifraude bancária
Atualmente, os bancos utilizam tecnologias avançadas de inteligência artificial, biometria, geolocalização, detecção de dispositivos suspeitos e monitoramento transacional em tempo real.
Esses mecanismos permitem identificar movimentações incompatíveis com o perfil do cliente, bloqueando preventivamente operações consideradas atípicas. Além das medidas tecnológicas, as instituições financeiras também desenvolvem ações contínuas de conscientização digital, orientando clientes sobre golpes recorrentes e boas práticas de segurança.
Embora os criminosos explorem vulnerabilidades emocionais e comportamentais das vítimas, os bancos cumprem rigorosamente com seu dever de segurança, investindo massivamente em tecnologia, inteligência antifraude e autenticação avançada. Mas a segurança digital depende, de forma concorrente e indissociável, da observância do dever de cuidado por parte do próprio usuário.
FONTES:
https://www.serasaexperian.com.br/sala-de-imprensa/indicadores/recorde-quase-7-milhoes-de-tentativas-de-fraude-foram-registradas-no-1-semestre-de-2025-setor-bancario-e-principal-alvo
https://www.oabmt.org.br/Admin2/Arquivos/Documentos/202305/PDF57753.pdf
https://www.sicredi.com.br/site/blog/seguranca/golpes-financeiros-2026/
https://mpes.mp.br/wp-content/uploads/2025/03/Cartilha_Fraudes_Bancarias.pdf
https://www.bcb.gov.br/meubc/faqs/p/dicas-gerais-para-evitar-golpes